Para Rozane Suzart: lembrança alada....
Lembrança aladaEm algum dia fui ave
Guardo memória
de paisagens espraiadas
e de escarpas em voo rasante
E sinto em meus pés
o consolo de um pouso soberano
na mais alta copa da floresta
Liga-me á terra
uma nuvem e seu delseixo de brancura
Vivo a golpes
com o coração de asa
e tombo como um relâmpago
faminto de terra.
Guardo a pluma
que resta dentro do peito
como um homem guarda seu nome
no travesseiro do tempo.
Em alguma ave fui vida.
Mia Couto
Maputo, 2004.
publicado no blog http://pastelsantaclara.blogspot.com/
Nenhum comentário:
Postar um comentário